Eduardo Negrão no EstiloLivre

Em obra impactante, jornalista faz indagações ao fascinante México

Em ‘México, pecado ao Sul do Rio Grande’ Eduardo Negrão analisa questões emblemática do maior país de língua espanhola do mundo

Eduardo Negrao foto escritorio 10-2015Nas últimas semanas ganhou repercussão mundial a fuga cinematográfica de um dos chefões do narcotráfico do México. ‘El Chapo’ escapou de uma prisão de segurança máxima através de uma tubulação utilizando uma moto. “No México, os ‘apodos’, apelidos em espanhol, dos chefes dos cartéis do tráfico são precedidos pelo artigo ‘el’, que na tradução para o idioma português equivale ao artigo ‘o’. É como se fosse avisar que na consistência daquela personalidade exista algo bem definido, tal como a morte, o medo, o terror, o horror. El Chapo, El Señor de Los Cielos, El Trigillo são apenas algumas destas personas preocupantes”, escreveu o jornalista e consultor político Eduardo Negrão, autor de ‘México, pecado ao Sul do Rio Grande’. Publicado pela Scortecci Editora, o livro já pode ser encontrado na Livraria Cultura. Na obra, de modo direto e inteligente, Negrão apresenta uma série de indagações ao maior país de língua espanhola do mundo. “Ainda que tenha uma história fascinante, com civilizações marcantes e embrionárias da vida em sociedade na América Latina, tendo como vizinho uma das maiores potências econômicas e militares da Terra, o México ainda apresenta gargalos preocupantes”.

O livro traça uma interpretação do México através de um ensaio muito bem contextualizado. O ponto de partida do livro é o que o autor chama de ‘a noite de São Bartolomeu moderna’, ocorrida em 8 de junho de 2011, quando 21 corpos de vítimas do narcotráfico foram distribuídos ao longo de vários bairros da cidade de Moreli, capital de um dos 31 estados do México e, emblematicamente, cidade natal do então presidente Felipe Calderón.

“Inadmissível para qualquer nação do planeta, ainda mais para o México, país que busca sacramentar suas veias constitucionais, permanecer refém de facções equipadas e com um grau de articulação que surpreende países vizinhos, como os Estados Unidos, e parceiros, como o Brasil”, instigou.

Até aquele dia, 8 de junho de 2011, mais de 37 mil mexicanos haviam sido exterminados pela guerra do narcotráfico. “Para apresentar o México e todas estas situações desconcertantes, recorri a uma vasta bibliografia e procurei identificar o país dos ‘mariachis’, do sombreiro e da comida apimentada através dos olhos de grandes escritores, como o brasileiro Érico Veríssimo, o colombiana Gabriel García Márquez e pensadores mexicanos, a exemplo de Octávio Paz e Enrique Krauze. Também analisei como o México foi absorvido pelos parceiros estratégicos e até a forma lúdica como o país foi narrado em desenhos feitos por Walt Disney”, afirmou.

O livro tem prefácio do escritor Caio Porfírio Carneiro, conselheiro da União Brasileira de Escritores. “O autor mostra o México por inteiro, dos primórdios que vêm de milênios aos dias atuais, sem que um liame, um apenas, histórico social, religioso, humano ou político fuja do seu acarbouço social total. Aqui está exposta e sintetizada toda essa potencialidade borbulhante. Eduardo Negrão conseguiu, em narrativa vívida e pulsante, trazer a relevo tudo isso”, observou o escritor.